sexta-feira, 21 de março de 2014

Abandonando o navio

É notável a ausência de novos posts no blog. Não escrevo aqui desde 2011.

A má (ou boa) notícia é que não pretendo voltar. A boa (ou má) é que o mesmo autor agora escreve em outro espaço. Confira outros textos, com razões de ser diferentes, mas com a mesma cabecinha por trás em::

Advogado do Diabo - Blog

Mantive o polêmico mascotinho vermelho. Um tanto pela feição, um tanto pelo contexto novo. Espero que gostem.

Continue lendo...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Eu, tecnocrata.

Não, senhoras e senhores, essa não é uma crítica do livro de Asimov, nem do filme com Will Smith. Sou eu mesmo, robô.

Faz quase um ano. Os mais atentos (e também os menos) devem ter notado que eu não escrevo aqui há um tempo. O último post foi alguns meses após o meu ingresso na faculdade de medicina. A culpa é dela, mas não por falta de tempo. Aliás, tenho tido mais tempo do que eu pensava que teria, tenho gastado mais tempo em música, redes sociais, festas, filmes e mais uma série de “futilidades”. Entre aspas, porque tenho me divertido bastante nos últimos tempos: bons amigos, instrumento novo, novos ambientes, viagens, risadas... Não é tempo perdido.

Por outro lado, percebi uma coisa essa semana. E daí vem o texto que vocês estão lendo.

Antigamente, ali, entre viagens e risadas, ficava a leitura dos temas de que gosto. Biologia evolutiva, filosofia, matemática, psicologia, física, informática, romances... Foi tudo embora. Nos últimos meses, só anatomia, fisiologia médica, histologia, biofísica e semelhantes. O pior é que alguns desses assuntos pareciam interessantes antes. Na verdade, ainda são. O problema é que (pelo menos na Faculdade de Medicina da Bahia-UFBA) você não tem uma abordagem atraente ao aluno para esses temas. Raramente, correlaciona-se o assunto com alguma pesquisa atual ou aplicação. Não há exercícios que façam o aluno pensar. Na verdade, nem as provas requerem pensamento. Basicamente, a função é decorar a informação contida em uma centena de páginas de um livro desatualizado e vomitar tudo isso, em algumas páginas de papel pautado, numa questão aberta que pede: “Explique, detalhadamente, X”.



Não há uma situação que faça o estudante usar os conhecimentos adquiridos para resolver um problema (rara exceção em poucas questões de Neuroanatomia, Biofísica, e Biologia molecular e celular, que estão longe de constituírem regra, mesmo dentro dessas cadeiras). Enfim, minha atividade intelectual nos últimos tempos tem sido exercitar a memória. Nada de se esforçar para entender algo ou resolver uma equação-problema elaborada. A rotina são horas de leitura forçada que fazem o aluno tomar asco à livros, apostilas e fotocópias. O resultado é que eu raramente chegava perto de um livro que não fosse acadêmico. Blog? Haha...

Eu, tecnocrata.

E o que é esse post? É o sentimento de dane-se que bateu em mim. De que adianta decorar esse bagulho todo, tirar nota alta nas provas, se, no fim do curso, isso não vale quase nada? Mudei minha política de estudos: aprenda o que vale a pena, estude para as seleções de estágios, ligas acadêmicas e monitorias legais. O resto que se dane. Voltarei a ler sobre o que gosto, seja o que for. Vou tentar postar no blog também.

Para simbolizar minha volta às raízes, comprei o ‘Introdução à Filosofia da Mente’, do K.T Maslin e mais alguns livrinhos de bolso sobre alguns tópicos em filosofia (faz tempo que queria ler algo atual sobre o assunto). Só de sentar na livraria e ler algumas páginas com interesse, tendo inclusive que voltar para entender algumas passagens, senti uma coisa meio nostálgica: parafraseando Gene Kelly, em Singin' In The Rain,

What a glorious feeling. I'm thinking again



Continue lendo...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Corrida de revezamento

(Este texto é continuação desse)

Miguel Nicolelis¹ em entrevista ao Estadão.
O Nobel é referência essencial para medir o avanço em determinados campos científicos?

(...) Isso é outra coisa interessante: a gente sempre fala das pessoas que ganharam [o Nobel], mas evidentemente o trabalho delas está focado no trabalho de muitos outros pesquisadores do mesmo laboratório ou de outros pelo mundo afora que contribuíram para a descoberta, mas não aparecem. A ciência, todos nós sabemos, não é feita só por uma ou duas pessoas. É uma longa corrida de revezamento. Ela vai passando o bastão de geração em geração, e geralmente quem está no meio da corrida não tem a oportunidade de ver o final. Mas isso não tira a motivação das pessoas que participam da prova




Em 1964, o jovem Howard Termin propôs a hipótese de que certos vírus, cujo material genético era composto de RNA, faziam síntese de DNA a partir de RNA, usando uma enzima especial. Em 1970, detectaram a tal enzima, batizada de transcriptase reversa (Muito útil, né?). Quarenta anos depois, antirretrovirais prolongam a vida de milhões de pessoas portadoras do vírus HIV. Medir concentrações de cloreto extracelular? Para quê?


ResearchBlogging.org

Marcum, J. (2002). From Heresy to Dogma in accounts of opposition to Howard Temin's DNA provirus hypothesis History & Philosophy of the Life Sciences, 24 (2), 165-192 DOI: 10.1080/03919710210001714373


Continue lendo...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ciência: corrida de revezamento.

O papel do ânion cloreto e do CFTR na destruição de bactérias Pseudomonas aeruginosa em neutrófilos normais e de pacientes com fibrose cística

ResearchBlogging.org

O título assusta, não? É o título de um artigo (tradução livre), publicado em 2008 no Journal of Leukocyte Biology. Eu e alguns colegas de faculdade temos que apresentar esse trabalho num seminário. Vou colocar alguns trechos da ficha-resumo que fizemos, junto com um glossário para leigos


Glossário:
Neutrófilos - Células do sistema imune. Internalizam (fagocitose) e destroem bactérias. Para isso, usam um ácido (ác. hipocloroso)
Cl- ( Íon Cloreto) - Átomo de cloro com um elétron a mais. É necessário para formar o ácido hipocloroso.
CFTR - Canal presente na membrana dos neutrófilos, que permite a entrada de íons cloreto.
Pseudomonas aeruginosa - Bactéria
Fibrose cística - Doença genética, na qual uma mutação gera defeitos nos canais CFTR e, com o transporte de cloreto afetado, vários sintomas no organismo



Objetivo(s) do artigo:

Investigar o efeito da concentração do íon cloreto extracelular na morte de Pseudomonas aeruginosa por neutrófilos normais e neutrófilos provenientes de pacientes com fibrose cística. O objetivo, portanto, foi investigar o papel do CFTR e do ânion cloreto (Cl-) na destruição bacteriana mediada por neutrófilos.


Hipótese do artigo:
Considerando o processo de formação do ácido hipocloroso (HOCl), que envolve a importação do ânion cloreto do meio extracelular através dos canais de cloro presentes na membrana plasmática (e.g. CFTR), e seu papel na destruição de bactérias Pseudomonas aeruginosa pelos neutrófilos, propõe-se que uma variação na concentração de ânion cloreto extracelular interfira na produção do ácido hipocloroso e, portanto, na morte das bactérias fagocitadas. Além disso, espera-se que canais CFTR defeituosos, o que caracteriza a fibrose cística, acarretem mudanças na importação do íon cloreto, comprometendo a capacidade destrutiva dos neutrófilos.


Neutrophil phagocytosis

Conclusões obtidas (pelos autores):
Foi demonstrado que o nível de cloreto extracelular afetou significativamente a destruição de bactérias mediada por neutrófilos. Os dados indicaram, portanto, que, em qualquer ambiente extracelular com uma oferta suficiente de cloreto, é esperada uma melhoria da função bactericida dos neutrófilos. Neutrófilos de pacientes com fibrose cística apresentaram atividade bactericida reduzida, o que é consistente com a hipótese de que a deficiência no canal CFTR gera uma menor concentração de HOCl intrafagolisossomal e implica na menor eficiência da resposta imune contra bactérias nesses pacientes, acarretando infecções recorrentes. Propõe-se que a doença pulmonar da fibrose cística é uma deficiência inata, resultante da disponibilidade de cloreto para células fagocitárias

Enfim, existe uma doença genética relativamente rara e especula-se que um de seus sintomas (infecções bacterianas recorrentes no trato respiratório) seja decorrente na deficiência de importação, por células do sistema imune, de um íon, cujo canal é defeituoso na doença. Hipótese feita, experimentos realizados, resultados satisfatórios. Os dados finais sugerem fortemente que a hipótese inicial estava correta.

A importação deficitária de cloreto é, realmente, um fator determinante nas infecções bacterianas dos pacientes.

Qual a relevância desse dado para a ciência? Ou melhor, qual a relevância para a humanidade? Qual foi o resultado prático? Por que estamos gastando dinheiro testando a influência de concentrações extracelulares de cloreto quando poderíamos estar procurando "a cura" para a fibrose cística? Ou estamos?

Painter, R., Bonvillain, R., Valentine, V., Lombard, G., LaPlace, S., Nauseef, W., & Wang, G. (2008). The role of chloride anion and CFTR in killing of Pseudomonas aeruginosa by normal and CF neutrophils Journal of Leukocyte Biology, 83 (6), 1345-1353 DOI: 10.1189/jlb.0907658

(Estou ficando craque em fazer posts-pergunta e não os responder. Prometo que não escrevo sobre outra coisa antes de terminar os dois)

Continue lendo...

domingo, 30 de maio de 2010

Elas gostam é de um macho suado

É isso mesmo que você leu. Chega de se preocupar ao sair peguento da academia ou "pingando" do baba (a menos que você cheire mal, aí é outra história...). Tem a ver com feromônios.




Feromônios são sinais químicos, excretados ou secretados por animais, que exercem influência comportamental ou fisiológica em outros seres da mesma espécie. Várias categorias são definidas: provocadores de respostas comportamentais primárias (e.g. sexuais), fisiológicas e neuroendócrinas, marcadores de território, sinalizadores de alarme...

Uma classe dessas substâncias químicas, classificada num período relativamente recente, os chamados feromônios moduladores, tem o poder de afetar o estado ou humor do indivíduo alvo.

ResearchBlogging.org Baseando-se em trabalhos anteriores com outros mamíferos (cabras e ovelhas), pesquisadores da Universidade de Pennsylvania imaginaram que algum tipo de feromônio masculino influenciasse o ciclo menstrual de fêmeas, assim como o pulso de LH (Hormônio luteinizante). Mais que isso, resolveram testar o efeito dos feromônios sobre o estado emocional das mulheres.

Eles usaram secreção da axila de homens saudáveis, com idade entre 22 e 45 anos, que não usaram desodorante, nem sabonetes com fragância, por 4 semanas. (É...)

Ai vem toda a parte emocionante do experimento. Manipulação da concentração do composto alvo, aplicação de um desodorante, preparação de um controle (etanol), escolha dos grupo (18 mulheres entre 21 e 45 anos) a ser testado...



Enfim, nos 7 primeiros dias de cada ciclo, as garotas inalavam 0.5ml do extrato ou do controle a cada 2 horas, por 12 horas. Durante esse tempo, amostras do sangue eram retiradas para dosagem do hormônio e elas respondiam um questionário sobre seu estado emocional (Escala tipo Likert, de 1 a 7).

Resultado: o ciclo mudou, os pulsos de LH ficaram menos espaçados e o nível de tensão declarado foi diferente nas que inalaram o extrato.

"Ah... Eu sempre soube que meu sovaco suado mudava o humor das
pessoas ao meu redor!"





Elas se declararam menos tensas e mais relaxadas.



PS: Eu detectei algumas falhas metodológicas no trabalho. Faltou um procedimento para discriminar porque elas gostam de nos abraçar após um sexo selvagem, mas não após o futebol...

Preti, G. (2002). Male Axillary Extracts Contain Pheromones that Affect Pulsatile Secretion of Luteinizing Hormone and Mood in Women Recipients Biology of Reproduction, 68 (6), 2107-2113 DOI: 10.1095/biolreprod.102.008268

Continue lendo...

sábado, 17 de abril de 2010

Para descontrair...


Ajude o papa a encobrir padres pedófilos nesse joguinho emocionante!

Continue lendo...

sexta-feira, 26 de março de 2010

Nature by Numbers

Simplesmente lindo.



Nature by Numbers

Continue lendo...