domingo, 22 de março de 2009

Demônio de Laplace e a ciência


Bom, este é o post inaugural do blog, que pretendo manter como uma forma de expressar meus pensamentos, idéias e opiniões (por mais bizarros que sejam). Além de uma terapia, é uma tentativa de escrever com regularidade, portanto circularão aqui variados temas. Minha intenção é fazer divulgação científica, com um pouco de liberdade poética.

Começarei explicando o título da página. Para quem nunca ouviu falar no bichinho, o demônio de Laplace é o ente que protagoniza um experimento mental proposto por Pierre-Simon Laplace (1749-1827) em 1814.



Nessa época, os progressos da ciência (em especial da mecânica Newtoniana) incentivavam a perspectiva de que todo o universo seguia leis estáveis, previsíveis e matematicamente possíveis de serem descritas. Prato cheio para os deterministas. Laplace (um físico e matemático brilhante, que merece seu próprio post futuramente) conjecturou o seguinte: se um intelecto soubesse o estado (velocidade, posição, massa, carga elétrica...) de todas as partículas do universo no presente momento, seria possível prever o futuro, assim como determinar o que havia ocorrido antes do presente.




Nas palavras do próprio Laplace:

“Podemos considerar o presente estado do universo como resultado de seu passado e a causa do seu futuro. Se um intelecto em certo momento tiver conhecimento de todas as forças que colocam a natureza em movimento, e a posição de todos os itens dos quais a natureza é composta, e se esse intelecto for grandioso o bastante para submeter tais dados à análise, ele incluiria numa única fórmula os movimentos dos maiores corpos do universo e também os do átomo mais diminuto; para tal intelecto nada seria incerto e o futuro, assim como o passado, estaria ao alcance de seus olhos.”

É óbvio que demônio soa bem melhor que intelecto, sendo esse o nome que pegou (a
ssim como ocorreu com o Demônio de Maxwell). Não é interessante a idéia de um diabinho que de tudo sabe?

  • Fisicamente esse ser poderia existir?
O cérebro (ou equivalente) da criatura provavelmente teria de ser maior do que o universo, mesmo que ela conseguisse armazenar 1 bit (menor unidade de informação) em unidades com comprimentos próximos ao comprimento de Planck (1,6 × 10-35 m); como a velocidade máxima em que a informação se propaga é a da luz, as operações não seriam realizadas a tempo. Além disso, certas características da física moderna, como o caráter probabilístico e o princípio da incerteza, acabaram por chacoalhar um pouco o pensamento determinista ortodoxo.



Esse demônio já nasceu exorcizado de nossa existência. Então por que diabos eu dei esse nome ao blog? Ora, se ignorarmos as implicações físicas da conjectura, ela se torna intelectualmente tão bela! Imaginem por um segundo como é estar ciente de tudo o que ocorreu e ocorrerá. O demônio de Laplace saberia o que você está imaginando e o que vai imaginar em alguns segundos.

Tal capacidade calaria os anseios que corroem todo curioso. Quando me refiro à curiosidade, não é apenas sobre o resultado do próximo paredão do BBB ou do final da novela. A curiosidade vai além e, arrisco dizer, é o motor do conhecimento! O que mais move um investigador da natureza (seja ele um filósofo grego nascido em 300 a.C, um físico do MIT, um alquimista, ou um pajé que procura a erva medicinal correta) se não a curiosidade e o fascínio pelas leis naturais?

Já que não é possível personificar o Demônio de Laplace, o que nos resta é buscar compreender o mundo pelos meios que estão ao nosso alcance. Não há certezas. Apenas evidências, observações e correlações, inferências, deduções. Nada tão satisfatório quando a onisciência demoníaca supracitada, mas é disso que nosso conhecimento é feito. Os séculos de esforços empreendidos por vários pensadores resultaram num método específico de obter conhecimento da maneira mais sólida quanto possível. É o que chamamos de método científico.

Apesar dos avanços, a ciência não faz mágica. Evidências, observações, hipóteses, experimentos, frustrações, mais observações, novas hipóteses, inferências e incertezas. A boa ciência é dispendiosa, trabalhosa e demorada. Os resultados, em curto prazo, são parcos, lentos e caros. Pode-se dizer que quanto mais progredimos, mais perguntas surgem.

“(...) toda nossa ciência, comparada à realidade, é primitiva e infantil - e ainda assim, é a coisa mais preciosa que temos.”

Albert Einstein


Um obrigado especial para meu camarada Philipe Farias (Fraks), o designer do site.



2 comentários:

  1. parabénssss man...
    ta massa..massa mesmoo!

    abraçosss


    By : Gió

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  2. Em minhas infindaveis pesquisas filosoficas cai aqui nesse blog. Muito bom. Excelente fonte de conhecimento. Parabens pela iniciativa. Qq coisa to la no orkut Chef Ricardo (Dylan). Abracos

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