domingo, 14 de junho de 2009

Se eu fosse uma célula...

Seria um Linfócito T CD8+

Linfócitos T CD8+ (também chamados killer cells, células T citotóxicas, ou citolíticas) são células do sistema imunológico, cuja função é colocar os "rebeldes" (células cancerígenas, infectadas por vírus ou danificadas de alguma forma) na linha. Bad boys.






O treinamento


As killer cells são originadas na medula óssea e partem para o timo, onde recebem suas armas. Na verdade, elas se formam por recombinação. Num dos processos mais fascinantes do corpo humano, nosso organismo faz uso dos princípios da evolução darwiniana para munir os linfócitos. É a seleção natural promovendo seleção natural.
As células do sistema imunológico trabalham com receptores. Cada unidade tem um tipo, que reage com uma variedade específica de antígeno (agente estranho). Acontece que a formação desses receptores é aleatória: centenas de diferentes genes encadeiam-se de maneiras distintas, para formar receptores novos. Após uma imensa gama ser produzida randomicamente, é feita uma pré-seleção.



Eles são apresentados a elementos (proteínas superficiais) do próprio organismo. Aqueles que estabelecem uma ligação muito fraca são descartados pela incapacidade de reconhecer complexos em geral e os que se ligam muito fortemente são eliminados para evitar respostas auto-imunes posteriormente.
Os sobreviventes fazem um teste de aptidão, sendo apresentados a novos antígenos: alguns amadurecem em linfócitos T CD4+ (helper cell, célula atacada pelo HIV) e outros em linfócitos T CD8+ (nosso assassino). Agora estão quase prontas para matar.


I love the smell of antigens in the morning


A ativação é outro mecanismo interessante. A equipe foi treinada e temos uma boa variedade de armas, mas quais delas devemos usar?
Até o presente momento, os soldados estão inertes. Lembre-se que o processo de formação é quase aleatório e, portanto, não-direcionado. O despertar ocorre quando uma célula auxiliar (APC, Antigen presentor cell) apresenta um antígeno aos linfócitos e ocorre a identificação.
Assim que percebe ter encontrado um objeto compatível, o CD8 começa a se replicar, produzindo um número cada vez maior de células com receptores iguais aos seus. Forma-se uma legião capaz de combater aquele tipo de infrator.


Seek and destroy


Quando em contato com o alvo, podem fazer o serviço sujo de duas formas.

  1. Liberam perforina. Essa proteína abre poros na membrana da vítima e permite a entrada de uma série de proteases (proteínas que destroem outras proteínas). Estas ativam uma seqüência de reações que levam à morte celular programada (apoptose)
  2. Ativa-se uma proteína de superfície especial da célula a ser morta. Esse receptor (FasR) dá início ao processo de apoptose.

Este é o post inaugural da estranha série “se eu fosse”.

Lodish,H. et al. Biologia celular e molecular. Trad de Ana Leonor Chies Santiago-Santos. 5 ed. Porto Alegre: Artmed. 2005. 1054 p. :il.

Adendo (04/06/2010): Achei um vídeo muito bom ilustrando a apoptose pela ativação do receptor FasR. Via RNAm. Eles tentam até reproduzir o movimento aleatório (browniano) das moléculas.



Apoptosis

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