sexta-feira, 11 de junho de 2010

Corrida de revezamento

(Este texto é continuação desse)

Miguel Nicolelis¹ em entrevista ao Estadão.
O Nobel é referência essencial para medir o avanço em determinados campos científicos?

(...) Isso é outra coisa interessante: a gente sempre fala das pessoas que ganharam [o Nobel], mas evidentemente o trabalho delas está focado no trabalho de muitos outros pesquisadores do mesmo laboratório ou de outros pelo mundo afora que contribuíram para a descoberta, mas não aparecem. A ciência, todos nós sabemos, não é feita só por uma ou duas pessoas. É uma longa corrida de revezamento. Ela vai passando o bastão de geração em geração, e geralmente quem está no meio da corrida não tem a oportunidade de ver o final. Mas isso não tira a motivação das pessoas que participam da prova




Em 1964, o jovem Howard Termin propôs a hipótese de que certos vírus, cujo material genético era composto de RNA, faziam síntese de DNA a partir de RNA, usando uma enzima especial. Em 1970, detectaram a tal enzima, batizada de transcriptase reversa (Muito útil, né?). Quarenta anos depois, antirretrovirais prolongam a vida de milhões de pessoas portadoras do vírus HIV. Medir concentrações de cloreto extracelular? Para quê?


ResearchBlogging.org

Marcum, J. (2002). From Heresy to Dogma in accounts of opposition to Howard Temin's DNA provirus hypothesis History & Philosophy of the Life Sciences, 24 (2), 165-192 DOI: 10.1080/03919710210001714373


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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Ciência: corrida de revezamento.

O papel do ânion cloreto e do CFTR na destruição de bactérias Pseudomonas aeruginosa em neutrófilos normais e de pacientes com fibrose cística

ResearchBlogging.org

O título assusta, não? É o título de um artigo (tradução livre), publicado em 2008 no Journal of Leukocyte Biology. Eu e alguns colegas de faculdade temos que apresentar esse trabalho num seminário. Vou colocar alguns trechos da ficha-resumo que fizemos, junto com um glossário para leigos


Glossário:
Neutrófilos - Células do sistema imune. Internalizam (fagocitose) e destroem bactérias. Para isso, usam um ácido (ác. hipocloroso)
Cl- ( Íon Cloreto) - Átomo de cloro com um elétron a mais. É necessário para formar o ácido hipocloroso.
CFTR - Canal presente na membrana dos neutrófilos, que permite a entrada de íons cloreto.
Pseudomonas aeruginosa - Bactéria
Fibrose cística - Doença genética, na qual uma mutação gera defeitos nos canais CFTR e, com o transporte de cloreto afetado, vários sintomas no organismo



Objetivo(s) do artigo:

Investigar o efeito da concentração do íon cloreto extracelular na morte de Pseudomonas aeruginosa por neutrófilos normais e neutrófilos provenientes de pacientes com fibrose cística. O objetivo, portanto, foi investigar o papel do CFTR e do ânion cloreto (Cl-) na destruição bacteriana mediada por neutrófilos.


Hipótese do artigo:
Considerando o processo de formação do ácido hipocloroso (HOCl), que envolve a importação do ânion cloreto do meio extracelular através dos canais de cloro presentes na membrana plasmática (e.g. CFTR), e seu papel na destruição de bactérias Pseudomonas aeruginosa pelos neutrófilos, propõe-se que uma variação na concentração de ânion cloreto extracelular interfira na produção do ácido hipocloroso e, portanto, na morte das bactérias fagocitadas. Além disso, espera-se que canais CFTR defeituosos, o que caracteriza a fibrose cística, acarretem mudanças na importação do íon cloreto, comprometendo a capacidade destrutiva dos neutrófilos.


Neutrophil phagocytosis

Conclusões obtidas (pelos autores):
Foi demonstrado que o nível de cloreto extracelular afetou significativamente a destruição de bactérias mediada por neutrófilos. Os dados indicaram, portanto, que, em qualquer ambiente extracelular com uma oferta suficiente de cloreto, é esperada uma melhoria da função bactericida dos neutrófilos. Neutrófilos de pacientes com fibrose cística apresentaram atividade bactericida reduzida, o que é consistente com a hipótese de que a deficiência no canal CFTR gera uma menor concentração de HOCl intrafagolisossomal e implica na menor eficiência da resposta imune contra bactérias nesses pacientes, acarretando infecções recorrentes. Propõe-se que a doença pulmonar da fibrose cística é uma deficiência inata, resultante da disponibilidade de cloreto para células fagocitárias

Enfim, existe uma doença genética relativamente rara e especula-se que um de seus sintomas (infecções bacterianas recorrentes no trato respiratório) seja decorrente na deficiência de importação, por células do sistema imune, de um íon, cujo canal é defeituoso na doença. Hipótese feita, experimentos realizados, resultados satisfatórios. Os dados finais sugerem fortemente que a hipótese inicial estava correta.

A importação deficitária de cloreto é, realmente, um fator determinante nas infecções bacterianas dos pacientes.

Qual a relevância desse dado para a ciência? Ou melhor, qual a relevância para a humanidade? Qual foi o resultado prático? Por que estamos gastando dinheiro testando a influência de concentrações extracelulares de cloreto quando poderíamos estar procurando "a cura" para a fibrose cística? Ou estamos?

Painter, R., Bonvillain, R., Valentine, V., Lombard, G., LaPlace, S., Nauseef, W., & Wang, G. (2008). The role of chloride anion and CFTR in killing of Pseudomonas aeruginosa by normal and CF neutrophils Journal of Leukocyte Biology, 83 (6), 1345-1353 DOI: 10.1189/jlb.0907658

(Estou ficando craque em fazer posts-pergunta e não os responder. Prometo que não escrevo sobre outra coisa antes de terminar os dois)

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domingo, 30 de maio de 2010

Elas gostam é de um macho suado

É isso mesmo que você leu. Chega de se preocupar ao sair peguento da academia ou "pingando" do baba (a menos que você cheire mal, aí é outra história...). Tem a ver com feromônios.




Feromônios são sinais químicos, excretados ou secretados por animais, que exercem influência comportamental ou fisiológica em outros seres da mesma espécie. Várias categorias são definidas: provocadores de respostas comportamentais primárias (e.g. sexuais), fisiológicas e neuroendócrinas, marcadores de território, sinalizadores de alarme...

Uma classe dessas substâncias químicas, classificada num período relativamente recente, os chamados feromônios moduladores, tem o poder de afetar o estado ou humor do indivíduo alvo.

ResearchBlogging.org Baseando-se em trabalhos anteriores com outros mamíferos (cabras e ovelhas), pesquisadores da Universidade de Pennsylvania imaginaram que algum tipo de feromônio masculino influenciasse o ciclo menstrual de fêmeas, assim como o pulso de LH (Hormônio luteinizante). Mais que isso, resolveram testar o efeito dos feromônios sobre o estado emocional das mulheres.

Eles usaram secreção da axila de homens saudáveis, com idade entre 22 e 45 anos, que não usaram desodorante, nem sabonetes com fragância, por 4 semanas. (É...)

Ai vem toda a parte emocionante do experimento. Manipulação da concentração do composto alvo, aplicação de um desodorante, preparação de um controle (etanol), escolha dos grupo (18 mulheres entre 21 e 45 anos) a ser testado...



Enfim, nos 7 primeiros dias de cada ciclo, as garotas inalavam 0.5ml do extrato ou do controle a cada 2 horas, por 12 horas. Durante esse tempo, amostras do sangue eram retiradas para dosagem do hormônio e elas respondiam um questionário sobre seu estado emocional (Escala tipo Likert, de 1 a 7).

Resultado: o ciclo mudou, os pulsos de LH ficaram menos espaçados e o nível de tensão declarado foi diferente nas que inalaram o extrato.

"Ah... Eu sempre soube que meu sovaco suado mudava o humor das
pessoas ao meu redor!"





Elas se declararam menos tensas e mais relaxadas.



PS: Eu detectei algumas falhas metodológicas no trabalho. Faltou um procedimento para discriminar porque elas gostam de nos abraçar após um sexo selvagem, mas não após o futebol...

Preti, G. (2002). Male Axillary Extracts Contain Pheromones that Affect Pulsatile Secretion of Luteinizing Hormone and Mood in Women Recipients Biology of Reproduction, 68 (6), 2107-2113 DOI: 10.1095/biolreprod.102.008268

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sábado, 17 de abril de 2010

Para descontrair...


Ajude o papa a encobrir padres pedófilos nesse joguinho emocionante!

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Nature by Numbers

Simplesmente lindo.



Nature by Numbers

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segunda-feira, 22 de março de 2010

1 ano de blog

O Demônio de Laplace faz 1 aninho hoje. Não esperava que fosse durar isso tudo, nem que algum dia chegaria à marca das 1000 visitações.Eu devia estar contente, mas um incidente de ordem pessoal me impede de estar. Sem mais.



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domingo, 7 de março de 2010

Homeopatia, o que eu penso

Prometi escrever um texto com minha opinião sobre. Aí vai.



O que é Homeopatia?

ResearchBlogging.org Primeiro, é importante entender o que é Homeopatia. O conceito geral é de que é uma forma de medicina alternativa. Nas palavras de uma homeopata:

“A medicina homeopática é um sistema farmacêutico natural que utiliza microdoses de substâncias dos reinos vegetal, mineral e animal para despertar as reações de cura naturais de uma pessoa.”1

A corrente baseia-se no princípio similia similibus curantur (“Semelhantes são curados por semelhantes”), o que significa que as doenças devem ser tratadas com substâncias que causam os mesmos sintomas apresentados. Insônia? Talvez um pouco de cafeína. Pedra nos rins? Quem sabe um suplemento de cálcio ajuda.

Vamos supor que um paciente tenha histórico familiar de doenças cardiovasculares. O Acônito é uma planta venenosa, sendo usado durante muito tempo em lanças e flechas para caçar e em batalhas. Um dos sintomas imediatos de suas toxinas é arritmia cardíaca. A idéia é fazer com que seu corpo reconheça o mal causado e reaja por si, recuperando o equilíbrio, então não se espante se em seu remédio homeopático para o coração consta Aconitum nappelus.

Não se espante mesmo. Da forma como a substância está lá, não fará mal algum. Outro pilar da homeopatia é a superdiluição das drogas usadas. Este é um dos principais motivos pelos quais a medicina tradicional rejeita a homeopatia. Segundo a disciplina, a diluição do princípio ativo não prejudica sua ação, mas modifica seu “potencial energético”.



A concentração é medida em “CH” (Centesimal Hahnemanniana). Cada centesimal é feita da seguinte forma: dilui-se uma gota de substância em 99 de água. Isso é 1CH. Depois, uma gota dessa solução 1CH em mais 99 de água. Temos 2CH. Efetuado esse procedimento, é como se tivéssemos colocado uma gota da substância original em 10.000 de água. A concentração considerada ideal pelo pai da homeopatia é de 30CH, o que significa uma gota da substância em 10 elevado a 60ª potência gotas de água.

Funciona?

Antes de responder essa pergunta, é importante olhar o aspecto físico-químico da coisa. A matemática envolvida pode ser chata para algumas pessoas, mas considero ser importante esse tipo de análise.

Quando se toma uma droga convencional, a quantidade é calculada pelos químicos que a desenvolveram. Semana passada, meu irmão mais novo sofreu um acidente na academia (um corte relativamente grande no dedo indicador, com fratura na falange distal) e o médico receitou um antibiótico, destinado a evitar infecções bacterianas. Cefalexina 500mg. Antes de essa droga ser vendida, foram feitos testes clínicos, no intuito de conhecer os efeitos da droga e analisar seu comportamento no organismo e na ação contra bactérias.2



Na homeopatia, os testes são um pouco diferentes. O motivo é simples de entender, mas é necessário ter uma noção do grau de diluição utilizado. Para isso, vamos acompanhar a concentração num remédio homeopático, a partir de um exemplo trivial e simplificado.

Consideremos que em 1 gota, há 1 mol (6,02x1023 moléculas) do material .Essa é uma gota bem grandinha. Para efeito de comparação, um mol de carbonato de cálcio (Calcarea carbônica na homeopatia) tem 100g. Antes do processo, temos 6,02x1023 moléculas. 1CH: Um centésimo das moléculas ficam. 2CH: uma de cada 10.000 moléculas ficam. Quanto mais diluímos, menos moléculas que supostamente deveriam ser o princípio ativo da droga estão na solução.

Ao chegarmos em 12C, já existe uma chance de que não haja uma molécula sequer da substância original. Quando diluímos a 16CH, a probabilidade de existir uma única molécula que não seja de água é de 0,000000006% . Cada unidade CH aumenta dois zeros depois dessa vírgula. Por fim, ganhar na mega-sena quatro vezes seguidas comprando apenas um bilhete em cada sorteio é muito mais fácil que achar um átomo de cálcio em uma Calcarea carbônica 30CH. Literalmente. 3

Conclusão: colocando água pura e uma solução 30CH sob análise, não haverá diferença alguma. Do ponto de vista farmacológico, beber água é a mesma coisa que o tratamento. O procedimento homeopático não condiz com a ciência atual. Mas e daí?

A pedra alienígena

Imagine que um meteorito caiu em algum lugar da Terra com inscrições em hieróglifos egípcios: “Essa pedra cura câncer”. Mandam-na para um laboratório e o grupo de cientistas encarregados afirma ser uma pedra normal, de composição química conhecida e sem propriedades especiais. No entanto, uma seita de adoradores da pedra voadora reúne 1.000 portadores de câncer e 990 deles vêem seus tumores desaparecerem instantaneamente. Os céticos que chorem: com explicação teórica ou não, contradizendo a ciência atual, os poderes do bólido intergaláctico são inquestionáveis.




É muito improvável que os cânceres regridam espontaneamente por puro acaso quando os portadores chegam perto da pedra. Estabelece-se uma razão causal artefato-cura. Ora, o fato é que o meteorito cura, só não sabemos como. A saída da homeopatia é parecida.

Apesar de a ciência repudiar a teoria, não há como refutar resultados concretos de cura. Dessa forma, vários ensaios são feitos (ensaios clínicos randomizados, ou ECRs), comparando homeopatia à placebo. Escolhemos 300 pessoas com rinite alérgica, damos pílulas homeopáticas a 150 delas e balinhas de farinha de trigo às outras 150 (sem que essas pessoas saibam qual é qual). Se o grupo das pílulas apresentarem quadro significantemente melhor que o grupo controle (das balinhas), homeopatia funciona. Se não, não.

O que os estudos mostram?

A maioria mostra efeito substancialmente igual ao placebo (pelo menos todos os quais já tive contato, diretamente ou indiretamente). Alguns mostram efeito ligeiramente positivo, sendo que boa parte destes apresentam defeitos na metodologia ou não demonstram efeitos iguais quando reproduzidos por outros grupos. Essa última observação é importante. Para a ciência, não basta lograr sucesso num experimento: é necessário descrever os métodos utilizados, permitindo que outros grupos repitam com sucesso o mesmo experimento.

Para quem quer uma coletânea completa da literatura sobre o assunto, assim como uma análise mais científica do tema, recomendo esse artigo e esse e esse. Todos de Renan Moritz V. R de Almeida, Ph.D . Professor de bioestatística na UFRJ, ele fez um levantamento (meta-análises e revisões sistemáticas) de vários trabalhos publicados nos últimos tempos. Pelo menos até os dias atuais, as pesquisas não indicam efeito significativo.

Mais uma ressalva. Como disse Carl Sagan, “afirmações extraordinárias requerem evidência extraordinária”. Em nosso caso, se você diz que uma substância quimicamente idêntica à água pura tem poder terapêutico, é bom ter algo melhor que uma tímida indicação estatística.

Mas minha tia tinha câncer, tomou e ficou boa!

Por fim, os argumentos anedóticos. Artigos científicos à parte, o que faz as pessoas procurarem tratamentos alternativos é a existência de relatos como esse. Essa parte serve também para outras opções de medicina (medicina chinesa, chás, umbanda, orações, simpatias, etc.). Sobre esses argumentos, tenho duas considerações

Primeiro, geralmente não há como comprovar a existência da doença antes da cura. Claro que provavelmente você confia no seu primo que curou a asma crônica dele, mas não espere que o resto das pessoas passe a beber urina de preá ou chá de rosas baseando-se nessa história. Assim como seu primo é um rapaz honesto, mil embusteiros podem inventar milhares de coisas para promover certos tratamentos e ganhar dinheiro com isso.


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Segundo, pense em grandes números. Estima-se que 1 em cada 100.000 cânceres regridam espontaneamente 4 . (Em alguns tipos de tumor, menores, a taxa chega a 22%, segunda alguns estudos5). Optando pela explicação mais simples (navalha de Occam), o câncer regrediu espontaneamente ou vamos jogar fora boa parte do que conhecemos em farmacologia?

No caso da homeopatia e outras “ciências” mais sofisticadas, temos adeptos mais educados, relatos de pessoas academicamente mais instruídas. Em minha opinião, um relato dessas pessoas sobre cura com pó de chifre de rinoceronte abençoado pelos gurus indianos vale tanto quanto o de minha avó sobre óleo de coco resolver calvície. (História real. Durante um mês, passei óleo numa cicatriz em minha cabeça. A propósito, ainda não tem cabelo lá e o cheiro é bastante enjoativo. Eu tinha 13 anos.)

1ULLMAN, Dana. Homeopatia - Medicina para o Século XXI. São Paulo:Cultrix, 1988.
2Segunda a bula, verificou-se que uma hora após doses de 500mg e 1g, os níveis sanguíneos ficaram entre 18 e 32 mcg/ml. Além disso,pode-se medir alguma concentração no sangue mesmo 6 horas após a ingestão. Eu poderia pesquisar na literatura médica alguns artigos sobre ensaios clínicos randomizados com a substância, mas acho que não é necessário para o meu argumento.

3Considerei que em cada diluição, partes equitativas da substância seriam divididas. Logo, em 1C, 1 centésimo das moléculas ficariam . 2C, 1/10.000. Em 12C, nós temos aproximadamente 60,2% de chances de termos alguma molécula. 13C, multiplicamos 0,602 por 0,01 e assim por diante. Em 30C, a probabilidade é de 6,02x10-37. Na mega-sena a chance de acertar com um bilhete é aproximadamente de 1 em 53.000.000, ou 1,88x10-8. Se ganharmos quatro vezes, temos 6,64x10-32, que é aproximadamente 100.000 vezes maior que 6,02*10^-37. Assim, é MUITO mais fácil acertar quatro vezes seguidas na mega-sena do que achar uma só molécula de cálcio no remédio.

4 Hobohm, U.: [1] Fever and cancer in perspective, Cancer Immunol Immunother 2001) 50: 391-396

5 Per-Henrik Zahl; Jan Mæhlen; H. Gilbert Welch: The Natural History of Invasive Breast Cancers Detected by Screening Mammography, Arch. Intern Med., Vol 168 (NO. 21), Nov 24, 2008

BBC Horizon Homeopathy The Test (Documentário)

Almeida, R. (2003). A critical review of the possible benefits associated with homeopathic medicine Revista do Hospital das Clínicas, 58 (6) DOI: 10.1590/S0041-87812003000600007


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quarta-feira, 3 de março de 2010

Homeopatia

Comissão do Parlamento britânico diz que remédio homeopático não funciona


O Parlamento da Grã-Bretanha anunciou nesta segunda-feira (22) o resultado da análise de eficácia de remédios homeopáticos. O relatório da comissão de ciência e tecnologia do parlamento britânico afirma que os remédios homeopáticos são tão eficazes quanto placebo - substância sem ação, geralmente receitada por alguns médicos apenas para criar efeito psicológico nos pacientes.


A homeopatia custa aos cofres públicos da Grã-Bretanha o equivalente a R$ 500 mil por ano. A quantia pode ser considerado irrisória dentro de um orçamento de R$ 300 bilhões destinados à área da saúde, mas os parlamentares afirmam que não é o dinheiro que está em jogo. O que eles querem é evitar que os doentes busquem a cura com medicamentos sem eficácia comprovada.


A homeopatia, que foi criada por um médico alemão, no século 18, é a chamada medicina natural. e segundo os médicos homeopatas não tem contraindicação. A homeopatia se propõe a curar com substâncias que normalmente provocam efeitos semelhantes aos das doenças. Por exemplo, o remédio homeopático para insônia contém uma substância extraída do café para ajudar o paciente a dormir.


Fonte: G1


Inquisição da Ciência? O Parlamento está errado? Pílulas de açicar? Homeopatia funciona? Escreverei o que penso sobre o assunto.



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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Câncer: abordagem evolutiva

Imagine uma população de animais de qualquer espécie vivendo em um determinado espaço. Sob a luz da evolução, o que acontece se um deles sofre mutações, passa a se reproduzir desordenadamente e não morre na mesma idade que os outros, transmitindo essa característica aos seus descendentes? Sua cria vai se espalhar rapidamente, consumindo recursos e causando danos, prejudicando os indivíduos ao redor.

Substitua animal por célula no trecho acima. Câncer.





“(...) os cânceres surgem por um processo de seleção clonal que não é diferente da seleção dos animais em uma grande população. Uma mutação em uma célula daria a ela uma leve vantagem de crescimento. Uma das células da progênie sofreria, então, uma segunda mutação que permitiria a seus descendentes um crescimento mais descontrolado e formaria um pequeno tumor benigno; uma terceira mutação em uma célula desse tumor permitiria um crescimento livre das outras células e das limitações impostas pelo microambiente tumoral, e sua progênie formaria uma massa de células cada uma com essa três mutações. Uma outra mutação em uma dessas células permitiria que sua progênie escapasse para a corrente sanguínea e estabelecesse colônias filha em outros sítios, uma característica do câncer metastático.”¹

Determinadas células sofrem mutações nos genes certos errados (basicamente proto-oncogenes e genes supressores tumorais). Em decorrência das modificações, passam a ser insensíveis aos sinais anticrescimento, escapam da morte celular programada (apoptose), reproduzem-se e crescem num ritmo frenético, invadem tecidos vizinhos, enviam sinais químicos para que o organismo as nutra.

Uma infeliz demonstração do poder que a seleção natural tem.

Como parar o câncer? Pare a evolução das populações de células.

Mark Ridley lista quatro condições básicas para que o algoritmo da seleção natural funcione.

“A seleção natural é mais fácil de ser abstratamente compreendida como um argumento lógico, que leva das premissas uma conclusão. O argumento, na sua forma mais geral, requer quatro condições:

1. Reprodução. As entidades devem se reproduzir para formarem uma nova geração.
2. Hereditariedade. A progênie deve tender a lembrar o seus progenitores:grosseiramente falando, “similar deve produzir similar”
3. Variação entre caracteres individuais entre os membros da população. Se estudando a seleção natural sobre o tamanho corporal, então diferentes indivíduos na população devem ter diferentes tamanhos corporais.
4. Variação de aptidão do organismo de acordo com seu estado quanto a um caráter herdável. Na teoria evolutiva, a aptidão é um termo técnico, que significa o número médio de descendentes diretos deixado por um membro médio da população. Portanto, essa condição significa que um indivíduo da população com alguns caracteres deve ter uma maior probabilidade de reproduzir-se (i.e, ter uma maior aptidão) do que outros.”²


Se entendemos o câncer como células evoluindo por seleção natural, cada forma de combate ao câncer trabalha no sentido de impedir que essa evolução ocorra.

Prevenção

Não fume. Perigo, material radioativo. Consuma álcool com moderação. Use protetor solar.
Existe uma probabilidade considerável de que fumar cause mutações cancerígenas nas células dos pulmões, assim como o álcool no esôfago, a radiação UV em sua pele... Evitando-os, evita-se mutações e, conseqüentemente a variação entre caracteres individuais entre os membros da população (3).

Quimioterapia e Radioterapia

Uma das características que distingue células tumorais das normais é a alta taxa de divisão celular (mitose). A princípio, essa é uma característica de alto valor adaptativo (segundo a definição de adaptação acima), já que muitos “descendentes” serão gerados. As drogas interferem no processo de mitose de células de crescimento rápido, que também são vulneráveis à radiação. Dessa forma, os indivíduos são impedidos de se reproduzirem (1) e muda-se o valor adaptativo do carácter em questão (alta taxa de reprodução), tornando-o desvantajoso (4) No nosso exemplo dos animais, que introduz o texto, imagine que surge um vírus sazonal no ambiente, causando complicações no nascimento de novos indivíduos e matando ainda os pais. Os indivíduos que se reproduzem desenfreadamente sumirão em um curto intervalo. Um efeito colateral é que outras células de divisão rápida no organismo morrem também. (Daí a queda de cabelo, devido à morte dos folículos pilosos)


Cirurgia

Uma mão gigante vem do céu e “guia” a evolução, literalmente extirpando certos indivíduos. O sonho de todo criacionista. Aliás, existe a analogia de que Deus é um cirurgião gigante? Nesse caso, tenho que admitir que funciona perfeitamente.



¹ Lodish, H. et al. Biologia Celular e Molecular. Trad de Ana Leonor Chies Santiago-Santos. 5 ed. Porto Alegre: Artmed. 2005. 1054 p. :il.

²Ridley, M. Evolução. Trad Ferreira H, et al. 3 ed. Porto Alegre: Artmed. 2006. 752 p. :il.




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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Camisa (Tricko) - Curta

Diretor: Hossein Martin Fazeli / Eslováquia / 2006

Mark é meio americano, meio eslovaco. E ele tem crenças fortes. Numa viagem para a Eslováquia conhece Tomas, um atendente que está usando uma camisa que ofende suas crenças.






Agradecimentos a Giovani (vulgo Gió), por ter me mostrado o vídeo.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pioneirismo

Trecho retirado de um livro escrito no século XIX, por um certo Charles:

"(...) por meio da técnica, a Natureza também realiza com igual eficiência, só que mais lentamente, no que se refere à formação das variedades humanas, adaptando-as às regiões que elas habitam. Em meio às variedades humanas que devem ter surgido acidentalmente entre os raros e dispersos primeiros habitantes das regiões centro-africanas, umas teriam sido mais bem adaptadas que outras no que diz respeito à resistência contra doenças locais. Em consequência disso, essas variedades humanas deveriam multiplicar-se, enquanto as outras se reduziriam até seu completo desaparecimento em razão de sua incapacidade de resistir a tais doenças, bem como por sua desvantagem nos confrontos com os vizinhos mais vigorosos e resistentes. Diante do exposto, suponho que essa raça vigorosa tivesse a pele escura. Persistindo sempre na mesma tendência para a formação de variedades humanas, com o passar do tempo a pele dessa raça deveria tornar-se cada vez mais escura; quanto mais preta, mais adaptada ao clima; dessa forma, aos poucos, essa raça de tornaria dominante, senão a única, na região onde se originou."


Evolução por seleção natural. O princípio está enunciado perfeitamente: variabilidade, mutações, seleção, hereditariedade, mudança na população.

O Charles que escreveu isso não foi o Robert Darwin.



Two Essays... with some observations on the causes of the
differences of colour and form between the white and negro races of men,
Willian Charles Wells, escrito em 1813 e publicado em 1818.

Mais de 40 anos antes de A Origem das Espécies ser lançado. Por que ele não é "o pai" da evolução? Aliás, por que não o pré-socrático Anaximandro, que em 500 A.C dizia que os seres humanos evoluíram de outra espécie?

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

E-mails não tão perturbadores

Enfim, a última mensagem enviada por M.C a mim:
(Se não leu as primeiras mensagens, clique aqui)

Man,

Relaxe, o Deus que eu sirvo não é assassino. Se fosse, não seria pecado matar.

Os dois maiores princípios que Deus nosso Senhor nos ensinou foi "amar a Deus sobre todas as coisas" e "amar o próximo como a ti mesmo" (não fazer com o outro, aquilo que você não quer que façam com você).

Ainda está escrito que quando você ama o próximo como a ti mesmo você está cumprindo toda a lei do velho testamento, pois o novo não veio cancelar o velho testamento, mas para cumpri-lo e testificar de Jesus e mostrar que Deus está ativo ontem, hoje e sempre.

Se você acha que escarnecer de Deus ou dos seus servos não seria digno de morte, leia o livro apocalipse (último livro da bíblia) para ver a profecia para aqueles que blasfemam contra o Senhor, praticam a iniqüidade e não tem amor nem pelo próximo nem para com Deus.




As partes em negritos foram destacadas por mim. Percebem o paradoxo?


“[A] Religião é um insulto à dignidade humana. com ou sem ela , você teria pessoas boas fazendo coisas boas e pessoas más fazendo coisas ruins, mas para que pessoas boas façam coisas ruins. a religião se faz necessária.”


Steven Weinberg





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