sexta-feira, 25 de março de 2011

Eu, tecnocrata.

Não, senhoras e senhores, essa não é uma crítica do livro de Asimov, nem do filme com Will Smith. Sou eu mesmo, robô.

Faz quase um ano. Os mais atentos (e também os menos) devem ter notado que eu não escrevo aqui há um tempo. O último post foi alguns meses após o meu ingresso na faculdade de medicina. A culpa é dela, mas não por falta de tempo. Aliás, tenho tido mais tempo do que eu pensava que teria, tenho gastado mais tempo em música, redes sociais, festas, filmes e mais uma série de “futilidades”. Entre aspas, porque tenho me divertido bastante nos últimos tempos: bons amigos, instrumento novo, novos ambientes, viagens, risadas... Não é tempo perdido.

Por outro lado, percebi uma coisa essa semana. E daí vem o texto que vocês estão lendo.

Antigamente, ali, entre viagens e risadas, ficava a leitura dos temas de que gosto. Biologia evolutiva, filosofia, matemática, psicologia, física, informática, romances... Foi tudo embora. Nos últimos meses, só anatomia, fisiologia médica, histologia, biofísica e semelhantes. O pior é que alguns desses assuntos pareciam interessantes antes. Na verdade, ainda são. O problema é que (pelo menos na Faculdade de Medicina da Bahia-UFBA) você não tem uma abordagem atraente ao aluno para esses temas. Raramente, correlaciona-se o assunto com alguma pesquisa atual ou aplicação. Não há exercícios que façam o aluno pensar. Na verdade, nem as provas requerem pensamento. Basicamente, a função é decorar a informação contida em uma centena de páginas de um livro desatualizado e vomitar tudo isso, em algumas páginas de papel pautado, numa questão aberta que pede: “Explique, detalhadamente, X”.



Não há uma situação que faça o estudante usar os conhecimentos adquiridos para resolver um problema (rara exceção em poucas questões de Neuroanatomia, Biofísica, e Biologia molecular e celular, que estão longe de constituírem regra, mesmo dentro dessas cadeiras). Enfim, minha atividade intelectual nos últimos tempos tem sido exercitar a memória. Nada de se esforçar para entender algo ou resolver uma equação-problema elaborada. A rotina são horas de leitura forçada que fazem o aluno tomar asco à livros, apostilas e fotocópias. O resultado é que eu raramente chegava perto de um livro que não fosse acadêmico. Blog? Haha...

Eu, tecnocrata.

E o que é esse post? É o sentimento de dane-se que bateu em mim. De que adianta decorar esse bagulho todo, tirar nota alta nas provas, se, no fim do curso, isso não vale quase nada? Mudei minha política de estudos: aprenda o que vale a pena, estude para as seleções de estágios, ligas acadêmicas e monitorias legais. O resto que se dane. Voltarei a ler sobre o que gosto, seja o que for. Vou tentar postar no blog também.

Para simbolizar minha volta às raízes, comprei o ‘Introdução à Filosofia da Mente’, do K.T Maslin e mais alguns livrinhos de bolso sobre alguns tópicos em filosofia (faz tempo que queria ler algo atual sobre o assunto). Só de sentar na livraria e ler algumas páginas com interesse, tendo inclusive que voltar para entender algumas passagens, senti uma coisa meio nostálgica: parafraseando Gene Kelly, em Singin' In The Rain,

What a glorious feeling. I'm thinking again



3 comentários:

  1. "Mudei minha política de estudos: aprenda o que vale a pena, estude para as seleções de estágios, ligas acadêmicas e monitorias legais."

    hehehe

    Senti um pouco disso um tempo atrás! LAELE!

    ResponderExcluir
  2. Há quanto tempo eu não leio Asimov...
    Danilão, ainda sinto um pouco disso... rs (lah ele!)

    ResponderExcluir
  3. Sua visão é futurista. Infelizmente não posso generalizar, mais mentes e pensamentos como o seu, me conforta por perceber que o essência do conhecimento ainda é buscada. Mesmo por poucos. Parabéns

    ResponderExcluir